A TEMPO, EM TEMPO
Os moradores ao redor da usina nuclear receberam doses fatais de radioatividade, a menos que tenham sido retirados a tempo/em tempo.
Ambas as expressões são corretas. Mas com “de” na sequência, “a tempo” é mais usual; por exemplo: Felizmente chegou a tempo de pegar o avião.
BALÉ
A menina estuda balé com uma ex-bailarina do Ballet Stagium.
A palavra brasileira para o francês ballet é escrita balé, com acento agudo. No meio artístico se ouve também a palavra balê, pronúncia à francesa, mas os dicionários não registram a variação com o circunflexo.
CARNÊ
O cliente receberá os carnês pelo correio.
Esta é outra palavrinha que aparece muitas vezes escrita em francês, carnet. Vamos usar a grafia brasileira? Carnê, ou então bloco, bônus.
CARPETE
Os novos carpetes são antialérgicos e antimofo.
Novamente, deve-se banir a grafia estrangeira carpet. No Brasil fala-se em carpete e também em carpê, no entanto esta variação ainda não está dicionarizada.
CONTA CORRENTE
O senhor não gostaria de abrir uma conta corrente em nosso banco?
As leitoras Simone Verdini e Mirian Miguel solicitaram detalhes sobre este caso, uma vez que viram a grafia com hífen. De fato, o dicionário Houaiss traz “conta-corrente”, o que é um exagero, pois se trata não de substantivo composto mas de um substantivo [conta] qualificado por um adjetivo [corrente], assim como conta especial, conta conjunta, conta aberta, conta redonda... Pensemos então que tenha sido um lapso. O plural correto, portanto, é contas correntes. No dicionário Aurélio século XXI vamos encontrar (o) “contas-correntes” como designação de um livro onde se escrituram as contas: “Passou a vista no contas-correntes da empresa”, palavra que todavia não está em uso no Brasil. Já o novo “mini Aurélio” (2009) acerta o passo e consigna conta corrente como o registro de receitas e despesas ou a própria conta bancária.
TÍQUETE
O valor do tíquete que não for usado será ressarcido.
Infelizmente há muita gente que ainda se vale da grafia inglesa [ticket] para o nosso tíquete, ou bilhete, cupom, ingresso. É também importante que se observe o hífen na composição com outro substantivo: tíquete-refeição, tíquete-restaurante, tíquete-alimentação.
* Maria Tereza de Queiroz Piacentini Diretora do Instituto Euclides da Cunha e autora dos livros 'Só Vírgula', 'Só Palavras Compostas' e 'Língua Brasil – Crase, pronomes & curiosidades'
quarta-feira, 4 de março de 2009
Dicas para uso de algumas expressões
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Crase e numerais

Embora o fenômeno da crase tenha a ver basicamente com a classe dos substantivos, muitas pessoas perguntam se ocorre crase diante dos numerais cardinais. Respondo que normalmente não, porque eles são usados sem artigo definido e não têm gênero (exceto um e dois e os terminados em -entos: uma, duas, duzentas, trezentas etc.). Observe:
Contemos de 1 a 20: um, dois, três, quatro...
Li 10 páginas apenas.
Há 100 cavalos em exposição.
Compramos cinco mesas e 30 cadeiras.
Outras vezes se poderá encontrar na frente do numeral um “a”, que não será acentuado por se tratar de mera preposição:
Lombada a 100 metros.
Posto de emergência a três quadras daqui.
Dirigiu-se a duas crianças.
Chegou-se a 12 propostas.
Vale lembrar que à/às só tem cabimento diante de substantivos femininos que admitem a anteposição do artigo definido. No entanto, poderemos visualizar uma crase – correta – antes do numeral em duas circunstâncias:
1) quando houver, subentendido diante do numeral, um substantivo feminino definido, que não se repete por questão de estilo:
Li da página 1 à 10. [da página 1 à página 10]
Caminhou da rua Augusta à 7 de Setembro. [da rua Augusta à rua 7]
2) quando houver explicitamente junto ao numeral um substantivo feminino determinado (do qual o numeral é apenas um dos determinativos):
Dirigiu-se às duas crianças abandonadas.
Servem café da manhã grátis às dez primeiras pessoas que aparecem no hotel.
Chegou-se, dessa forma, às 12 propostas descritas no memorial.
Como se vê, a crase aí está relacionada não ao numeral mas ao substantivo determinado: as crianças abandonadas, as primeiras pessoas que aparecem, as propostas descritas. Mudando-se esse substantivo para um equivalente masculino, temos aos em vez de às:
Dirigiu-se aos dois meninos abandonados.
Servem café da manhã grátis aos dez primeiros indivíduos que aparecem.
Chegou-se, dessa forma, aos 12 projetos descritos no memorial.
* Maria Tereza de Queiroz Piacentini Diretora do Instituto Euclides da Cunha e autora dos livros 'Só Vírgula', 'Só Palavras Compostas' e 'Língua Brasil – Crase, pronomes & curiosidades' - www.linguabrasil.com.br
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
DISSERTAÇÃO - Conselhos úteis

Por Geórgia Kelly
- Conselho 1:
Numa situação dissertativa, em relação às ideias do texto, a frase que se deve ter em mente é Nada é proibido, nada é obrigatório; tudo depende do bom senso. Portanto é necessário usar a iteligência, no momento de escrever uma redação.
- Conselho 2:
Evite repetições de sons, de palavras e ideias. Palavras terminadas em ção, são, ssão, dade, mente, provocam eco no texto. A repetição de palavras denota vocabulário escasso. A repetição de ideias demonstra falta de argumentos, de conteúdo teórico. Em vez de substituir repetições por sinônimos, reestruture o período, pois a ideia continuará sendo repetida. Reestruturar o período significa reescrevê-lo, dando outra formação sintática. Por exemplo, em vez de escrever O homem está destruindo a natureza, sem pensar no seu próprio futuro, reestruture para Destrói-se a natureza sem se importar com o futuro
- Conselho 3:
Evite o exagero de conectivos (conjunções e pronomes relativos). Por dois motivos: para evitar as repetições e para não elaborar períodos longos.
- Conselho 4:
Não generalize; seja específico.
Utilize argumentos concretos, fatos importantes. Uma redação cheia de generalizações demonstra a falta de embasamento de seu autor; a falta de conhecimentos gerais, a falta de contato com a realidade atual.
Para evitar esses problemas, ler é a solução (jornais, revistas, livros...). Alimente sua inteligência!
- Conselho 5:
Não faça afirmações incoerentes. Como do tipo: Os jovens estão totalmente sem informações hoje...; Ninguém gosta de ler...; Não há escritores bons hoje em dia....
A incoerência também demonstra falta de conhecimento.
- Conselho 6:
Não faça afirmações levianas. Como do tipo: Todo político é corrupto.
- Conselho 7:
Não afirme o que não pode ser provado.
- Conselho 8:
Procure não escrever períodos nem muito curtos, nem muito longos.
Evite mais de dois períodos por linha, ou seja, não coloque mais do que dois pontos finais em uma mesma linha. Evite mais de duas linhas sem sequer um ponto final.
- Conselho 9:
Não faça parágrafos nem muito curtos, nem muito longos.
O ideal é que os parágrafos tenham no mínimo, 4 linhas e no máximo, 7 linhas.
- Conselho 10:
Observe a pontuação. Nunca coloque vírgula entre o sujeito e o verbo, nem entre o verbo e o seu complemento.
- Conselho 11:
Não use expressões populares ou cristalizadas pela população.
O texto dissertativo é um traballho técnico, portanto não se admitem expressões populares. Expressões cristalizadas são frases comuns a qualquer cidadão, e não embasamentos fundamentados.
- Conselho 12:
Não use expressões vulgares.
- Conselho 13:
Não use linguagem figurada. Todas as palavras da dissertação devem ser usadas em seu sentido exato.
- Conselho 14:
Quanto ao título, construa-o por meio de uma expressão curta. E só coloque ponto final, caso use verbo.
- Conselho 15:
Cuidado com o uso de conjunções: mas, porém, contudo, são conjunções adversativas, que indicam fatores contrários. Portanto, logo, são conjunções conclusivas; pois é uma conjunção explicativa, e não causal. Faça uso dessas conjunções de forma correta. O importante num texto é deixa-lo claro!
- Conselho 16:
Os parágrafos não devem estar soltos.
A ausência de elementos coesivos (elementos textuais que dão sentido no contar dos fatos) entre as orações, períodos e parágrafos é um problema grave. Isso ocasiona má interpretação e desgaste de leitura.
- Conselho 17:
Num texto dissertativo, não se usa a palavra EU, nem VOCÊ e nem mesmo NÓS. Este é um tipo de texto impessoal.
- Conselho 18:
Evite palavras estrangeiras e gírias.
Em dias atuais, sabemos que é inevitável a utilização de expressões que utilizem palavras estrangeiras
ou mesmo, algumas "gírias, ou melhor dizendo expressões populares comuns em jovens; mas se tratando de um texto técnico, não é de bom tom fazer uso desse tipo de vocabulário. Opte pela linguagem padrão.
- Conselho 19:
Atente para não cair em contradição.
É muito importante prestar atenção em tudo que for exposto durante a produção do texto, para não dizer o contrário mais à frente.
- Conselho 20 e último:
Lembre-se de que para a produção de um texto existem palavras muito importantes:
ORIGINALIDADE e CRIATIVIDADE - Não trabalhe com exemplos muito simples ou comuns; seja criativo. Use sua inteligência!
HOMEM e SOCIEDADE - Tudo que for colocado em seu texto deve ser útil à sociedade de um modo geral, e não apenas para você ou para um pequeno grupo de pessoas
Referências
TUFANO, Douglas. Estudos de Redação. Editora:Editora Moderna, SP. 3ª ed.1992.